Aqui é onde a terra se despe
e o tempo se deita..

(Mia Couto, A Varanda do Frangipani)

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sábado, 31 de maio de 2014

Simplificando


Saudade
de quase tudo. ( hoje )

Saudade
de ti. ( permanência )

Saudade
de mim. ( me perdi )

Saudade
do que deveria ter sido... ( futuro inexistente )

Saudade
                   ( uma Ausência )



quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

E no dia da Saudade?



O Sentir da Saudade faz barulho

 ( Quanta coisa que tu nunca saberás. )

Poderia também crer que: O Sentir dá Saudade e faz barulho

  ( Quanta coisa que tu nunca me permitirás entender.)

No meio de tanto barulho de Saudade resta apenas o vazio da Ausência.

   ( e nesse vazio cabe tanta coisa;  permaneceremos. )

                                                                                ***


* E de quem será que foi a ideia de que a saudade escolhe dia?



terça-feira, 1 de outubro de 2013

É que talvez esperar seja verbo para ser conjugado no plural


Outra promessa e mais algum tempo. Agora temos um espaço entre alguns dias, ainda assim é só uma véspera, uma antecipação de algo que pode não ser, ou ser de alguma forma inesperada. É só um tempo de esperar e, acho que aqui cabe um pouco de tudo que deixamos em um passado não tão distante, tudo que ficou naquelas entrelinhas, o que fomos de mais bonito. O que tivemos e nunca nos pertenceu.  Nos resta esperar que a chuva nos molhe dessa vez e que a relatividade do tempo possa nos perdoar depois. 




quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Attraversiamo


Nunca fez tanta chuva como agora. Um tempo literalmente cheio de tudo que nos secou, agora quase nos afogamos, por dentro ainda mais do que por fora. Somos água, sentimos a liquidez nos curando as feridas na pele do que nos queimou e nunca falamos. Sentimos muito; sentimos a falta de conjugar verbos sempre distantes. Sentimos a distância de todo um oceano, mergulhamos sem nos molhar ao atravessar; tivemos que voltar. Permanecemos do outro lado, sem bagagens. Estamos longe. Partimos. Continua chover e perto de onde estamos há uma ponte que nunca atravessamos. A estação das chuvas sempre nos remete a lugares onde a água não consegue chegar. Estaremos um dia vazios de nossas tempestades?

( O plural não existe, a ponte também não. Só a chuva permanece )


sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Pelo encantamento de te sonhar


E no meu sonho uma parte de nós se encontrava,
mas logo o dia chega e nos exila em um lugar que não é aqui;
onde não somos mais aqueles que o inconsciente insiste em enfeitar.

Mas pelo mistério do desejo o plural se fez doce.
Se fez tu perto.
Poucas  palavras e um cenário com imagens palpáveis.

No sonho todos os tempos são possíveis,
e mesmo que não exista nem eu e nem tu
estávamos lá.






terça-feira, 30 de abril de 2013

O instante mudo


Vivemos uma miragem de futuro
Agora o assombro de um quase passado
Do que ainda não passou
A pausa no tempo de ser plural
O acaso longe das mãos





Pra ti que espera paredes



De todos os mundos possíveis quero estar contigo onde nos molhamos!



segunda-feira, 22 de abril de 2013

quarta-feira, 3 de abril de 2013

De quando as folhas são tapete


Eu nunca te contei, mas em uma manhã de outono eu te casei comigo,
éramos eu e tu e um plátano. Simples e brancos.
Tiramos os sapatos, o chão era feito de um futuro bonito.

( ainda é outono, e as manhãs são possibilidades, mesmo que tu não saibas! )





segunda-feira, 1 de abril de 2013

Do que já não alimentamos o amor





 ( Para mim )

                                                         
                                                        ( Para ti que não gosta dos figos )


( Para nós quando escrevíamos sobre as manhãs de domingo )





domingo, 31 de março de 2013

É que Adeus é uma palavra grande demais




No fundo eu sabia que com a mudança da estação e a chegada dos dias mais frios o enveludamento dos recentes sentimentos finalmente poderia ser traduzido em letras.

Penso que deves estar pintando as paredes da sala agora, cores claras e  enquanto providenciavas uma lâmpada provavelmente tenhas pensando em nós, na verdade tive receio de que simplesmente a tenhas trocado, sem lembrança alguma. Esse me é um sentimento bastante forte. O esquecimento, ou a insignificância de tudo que planejamos.

Nos sonhamos tantas vezes; ainda parece o mesmo tempo; ainda parece termos o tempo que nos demos. Tudo parece intacto. Não nos vivemos.

Talvez não estejas pintando a parede de uma cor clara, pode ser que tudo estivesse do teu agrado e nada tenha sido mudado. Acho que não saberei. Imaginei um piso de parquet, quase consigo te sentir.

Continuo usando fones, mesmo sem música; Ainda existe algo de ti nos tons das madrugadas. Muita coisa sobrevive ao que acaba.

Mas acabar não é  verbo bonito. 




sábado, 19 de janeiro de 2013

Três meses quase dois


  Um medo ambíguo, era essa a definição adequada para o sentimento que experimentei durante anos. Esperava que não acontecesse jamais e ao mesmo tempo temia que nunca fosse acontecer.

  Era absolutamente assustadora a ideia de ser dominada por um sentimento que me fizesse perder a razão ou a coerência, depois sentia uma sensação de vazio junto com o alívio pelo suposto controle das emoções, temendo viver sem nunca ter provado o que é na maioria das vezes descrito como belo.

  Sempre vi os apaixonados como bobos e alucinados; acreditava na racionalidade; em buscar de alguém que se encaixasse no meu padrão pré determinado de pessoa especial. ( Fiz até uma lista com esses itens ).

  Alguém que gostasse muito de ler, com um bom gosto musical, que usasse camiseta branca e calça jeans lisa, que deixasse a barba por fazer algumas vezes, que soubesse escolher um bom vinho, preferisse o inverno ao verão, gostasse de cachorros e crianças. Alguém com uma individualidade bastante forte. Que tivesse pontos de vista diferentes dos meus, que gostasse de dormir e de cafés, que já tivesse viajado bastante e quisesse dividir alguns lugares e conhecer tantos outros.

  Bastava ser simples, sem carências absurdas e sem necessidade de complementos. Apenas uma companhia agradável e que fosse capaz de tolerar alguns momentos de silêncio demorado. Todo medo esconde sua causa nem sempre abstrata e algumas coisas devem permanecer guardadas.

  Penso que me reservei, talvez por um tempo suficiente para entender que todos os esforços racionais são inúteis e inválidos quando se trata de uma paixão. Não uma paixão avassaladora e cega que tanto me assustava, e sim um sentimento de bem querer; querer estar junto, perto. Querer dividir as novidades, encontrar a parte boa do dia, passar a madrugada conversando e nem ver o tempo passar, fazer planos de um futuro bonito.

  Planejar dividir livros, músicas, filmes, espaços, imaginar o amparo na hora difícil, a cumplicidade. Criar até soluções para as eventuais discussões e os " emburramentos ".

  Superei meu medo. Vivi o sentimento da maneira que sabia. Fiz o que me pareceu ser o melhor para ambos. Uma quase paixão? Talvez. Um quase amor? Poderia ter sido. Gosto de pensar que nos conhecemos na estação errada, amores de verão são rotulados com passageiros, superficiais e frágeis.

  Nos demos três meses, vivemos quase dois, e isso é muito para quem nunca teve um dia inteiro. O que fica é um sentimento de gratidão ao próprio sentimento. Ficou uma saudade enorme também, mas isso seria assunto para um outro texto, talvez no outono!


  

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Metade de tudo


Em alguns momentos minha pele ainda reage a tudo que fomos.
Não sei de que forma conseguiste tocar-me...
Foi um somente sonhar-te.


Acordei. Imóvel. Paralisada.
Emudecemos...
É tão urgente sentir-te.

( ainda temos o tempo, lembras? )








quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Saudade de ti


Uma nova mensagem... Não era tua!
Fones só para abafar todo o resto... Tudo é resto agora!



segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Sobre não fazer barulho


Um sem sentir; 
Tentei escrever algo que pudesse definir, não consegui. 
Não é sentimento, é sua mais absoluta ausência. 
Tudo permanece torpe, longe.
Faltam palavras;
Falta sentir;
Só falta... ( em silêncio )




segunda-feira, 9 de abril de 2012

Tu, a porta e eu



 São solidões simétricas, não opostas, talvez paralelas. Com quilômetros exatos e endereço fixo, horários incertos e bagagens simples.

  Solidões literárias que se fazem companhia, solidões quase cibernéticas.

  Cafés, sucos e proteínas. Clarice, Dostoiéviski e Beethoven. Uma distância linear, uma proximidade musical.

  Talvez receio, talvez medo ou só a  ausência da coragem. Talvez tudo, ou somente uma tremenda falta de sorte.
      
  Talvez tu venhas aqui, talvez melhor ai. Talvez hoje...

  Não sei... Te sinto e não tenho chave. Te conheço e sei que a porta fica aberta...