Aqui é onde a terra se despe
e o tempo se deita..

(Mia Couto, A Varanda do Frangipani)

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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Im Pensada

 
En Cantada
      In Acabada
En Amorada
      In Finita
En Cabulada
      In Ventada
En Caminhada
      In Animada
En Sacada
      In Alterada




domingo, 1 de setembro de 2013

A perfeição do que pode ser guardado




Eu levo seu coração comigo
( eu o levo em meu coração )
Eu nunca estou sem ele
( a qualquer lugar que eu vá, meu bem, e o que quer que seja feito por mim somente é o que você faria, minha querida )

Tenho medo

Que a minha sina
( pois você é minha sina, minha doçura )
Eu não quero nenhum mundo
( pois bonita você é meu mundo, minha verdade)
E é você que é o que quer que seja o que a lua signifique
e você é qualquer coisa que um sol sempre vai cantar

Aqui está o mais profundo segredo que ninguém sabe
( aqui é a raiz da raiz e o botão do botão e o céu do céu de uma árvore chamada vida, que cresce mais alto do que a alma possa esperar ou a mente possa esconder )
e isso é a maravilha que está mantendo as estrelas distantes.

eu levo o seu coração ( eu o levo no meu coração )

E. E. Cummings



terça-feira, 29 de maio de 2012

As linhas




Dos meus pensamentos ou desejos mais pretensiosos, o maior deles é te imaginar com saudades.

Se assim fosse, imaginaria que a  forma ( tua ) de encontrar-me inteira, seria aqui; lendo-me. O  lugar onde posso ser ( eu ), o único lugar onde admitiria também sentir saudades...

E talvez quando eu não mais sentir, não escreva... Por hora ainda tenho longas folhas brancas para riscar, de saudade... Ou as deixe em branco ( de saudade ).







sábado, 28 de abril de 2012

Um olhar


Amo as palavras 
não creio na maioria 
apenas respeito 
como sagradas 

São vazias 
precisam de contexto  
Maleáveis 
mutáveis  
passíveis de correção 

Creio apenas no que sinto 

Acreditava no que via 

Certa vez me vi em  olhos que brilhavam 
brilhavam palavras 
palavras que brilhavam de sentir 
sentir que tinha medo de acreditar
olhos que partiram

Palavras que se perdem quando sentem...





Roteiro inverso


Do que ficou:
marcas

do cheiro
do gosto
da mão

Do que não foi:
uma história

Do que vai ser:
uma recordação  ( doce )

Do mais bonito:
tua nudez nas palavras

Do mais claro:
teu medo cru

Do mais abstrato:
enredo inimaginável
improvável
real

Do sentimento:
um quase sentimento...



quarta-feira, 30 de novembro de 2011

vamos



Você não deveria nos procurar
Também não deveria acreditar quando digo.
Meu silêncio o mantem livre
Mesmo que  me aprisione
É um tempo que eu tenho
Preciso me apegar a isso
É o que não me deixa dormir
Mas quando você acordar
Ainda terá a canção.
Na multidão serei eu a olhar
Serei somente alguém
E não importará mais
porque não precisamos mais acreditar...
                                                            Somente seguir.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Rabiscos


Brincar em teu corpo
Marcar como tatuagem
Vontades exauridas
Músculos exaustos
Água não tira
Esfregar não sai
Em teus braços
Repousa, pesa
E te faz gostar...



quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A idade do beijo


Beijos pré-datados? Sim, beijos envelhecem. Já nascem adolescentes. Acho que beijos nunca são crianças, ou talvez sejam sim; podem  ser como os velhos, que envelhecendo retrocedem e voltam à infância. E talvez a infância do beijo seja sua própria velhice.
  O primeiro beijo é adolescente, quase infantil. Mas amadurece muito rapidamente, um beijo jovem é cheio de expectativas. Tem necessidade de superação.
  Um beijo adulto é quando o motivo do beijo achou equilíbrio. Tem expectativas reais, precisa apenas cumprir sua função de beijo. Ele pode dar-se ao luxo até de ser um beijo no nariz, e mesmo assim ser cheio de significados. Pode ser um beijo mágico na testa, sabe exatamente o que quer dizer.
   Função de beijo é acordar os sentidos, lembrar a cinestesia, como ler ou escrever em braille. Beijo é homeopatia, é carinho, encontro, proximidade, cumplicidade, traquinagem também claro. Beijo é inicio, é celebração. Beijo adulto é bem temperado...
  Quando o beijo começa envelhecer, fica morno, sem sal. O beijo morre frio...

domingo, 20 de novembro de 2011

Incompleto


Leve é uma manhã de domingo
Macio é fazer carinho no gato
Doce é um natal
Colorido é uma tarde no mini-mundo
Especial é um jardim com lavandas
Diferente é o cheiro que os livros tem
Amável é o abraço da minha avó
Surpresa é quando nem dá para descrever
Simples é o que fascina
Agridoce é a cura pela lágrima
Estranho é vida de adulto
Frio é parecido com drops de menta
Lindo é uma margarida branca
Inesquecível é a pele alva
Triste é não ter um unicórnio alado
Grande é imaginar os dinos maiores que um elefante grande
Sozinho é o olhar marejado de quem fica vendo partir
Metade é uma mão sozinha
Saudade é só o que resta...


sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Horas


Não posso imaginar uma noite inteira
Só posso escrever
Entre as sombras e a rua
Algo leva-me e esconde-se
Encontro-me ausente
Sem mim.
E as lágrimas vem com o corpo vencido
E derrotado pelo tempo interminável
Que arrasta madrugadas sozinhas
A presença desejada não amanhece
Esconder-me-ei
Onde a noite não chega
Ou tatuarei o dia na memória das mãos...


Lontananza



Um gesto no meio do sonho
as janelas se quebram
pedaços ao chão
restos de inteiros
falta de cores
o esperar é longo
arrastado
Sentir tudo e ser metade
temporariamente
Faz frio
e as palavras não respiram mais
uma ocasião de ida
uma incompreensão
talvez o percurso natural...


quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Ficou lá


Se o arco íris abençoa
e a mão fica gelada
o céu desce e vira chão
uma cidade distante e uma escada
a cortina do teatro fecha
o cenário é do lado de fora
O tempo entra em simetria reversa
o sentimento que nunca retrocede
fica preso no silencio de horas
quebradas por noites intermináveis.
os degraus da escada ainda esperam
a promessa gravada no espectro de cores
traça um idioma híbrido
entre palavras novas que nunca adormecem...


terça-feira, 8 de novembro de 2011

Perdida


Vasculhando vazios
buscando impressões
no meio das sobras de tantas faltas
longe de alinhamentos e horizontalidades
vagando entre mundos paralelos
que mergulham em sensações vicerais
e deixam marcas permanentes em
lugares essencialmente inatingíveis...


intervalo


Na bagagem só amor
O suficiente para nós dois
na medida para dias belos
com trilha sonora de amores lindos
e cores de céus abençoados...
todos os abraços possíveis
e um sem fim de beijos
com um mundo inteiro de carinhos
e outro sem fim de planos...
Algo de interminável nas madrugadas
e amanhecendo atrasado
com vontade de acelerar o dia
e voltar logo para essas horas mágicas
onde podemos desligar o mundo
e entrar na perfeição...


O sentir



Tudo que voce precisa hoje é acreditar
fechar os olhos e desejar
Nunca mais, é algo distante demais para ser real
Então acredite em mim
Se por acaso estiver com medo
ou sentindo a dor da solidão
eu estarei aqui
Com a chuva ou com o vento
procure-me
Veja o invisível
Tudo o que você acreditar existe
Apenas sinta essas palavras
Onde quer que você esteja
eu estarei também
e sei que você é capaz de sentir...

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Abstrata


Saudade sem nome
Sem rosto
sem perfume
sem textura
Saudade inexata;
Saudade sem horário
sem bagagem
sem caminho
sem destino
Saudade perdida;
Saudade sem tamanho
sem contorno
sem toque
sem laço
Saudade sem medida;
Saudade sem tempo
sem marca
sem pegada
sem gosto
Saudade Real...



quarta-feira, 26 de outubro de 2011

De algodão


Posso sentar aqui do seu lado?
Pode.
Quantos anos você tem?
Sou pequena ainda.
O que você olha tanto?
Aquela nuvem, vê?
Sim, o quem tem ela?
Quero morar lá.
Morar na nuvem?
Sim!
E como vai ser?
Uma casa linda!
Tem porta?
Não, só janelas e um gato dourado.
Como é gato dourado?
Ele é amarelo que brilha, e tem uma joaninha vermelha no lugar do nariz.
Por que não tem porta?
Porque eu esqueço sempre as chaves.
É bom morar numa nuvem?
Não sei ainda, não moro lá. Mas acho que é especial, como sorvete de uva, sabe?
Por que você quer morar na nuvem?
Para ver os girassóis do alto!
E como  vai  até lá?
Antes de você chegar, eu tava aqui falando com o vento.
Ele te responde?
Sim, o vento é mágico.
O que ele achou da idéia?
Estranha!
E agora, não vai ajudar?
Vai sim. Ele tem um plano!
Qual?
Falou para eu fechar os olhos.
E?
Fechar os olhos e desejar com um coração bem grande...
Você vai conseguir?
Claro, logo os girassóis estarão floridos...


Inquietação


A alma...
De força frágil,
de passos firmes e suaves
A alma, dolorida;
da dor que só cura no silencio
A alma perde a cor,
não sabe mais dançar;
não conjuga mais volatizar...
A alma pede para voltar;
quer ir para casa, sente falta de simplificar...
simplesmente não quer mais falar!
A alma adoeçe e tem sede;
não sabe como curar
só quer voltar e voltar...
Fica agora no canto do ser,
encolhida
Alma com frio, alma com medo...
não entende, só quer dormir e sonhar...


Quebrado


O Tempo te nasceu;
Te acolheu
Te ninou e te brincou
Acho que tempo te amou;
Ele te cresceu e esculpiu...
Ele te fez jovem, te descobriu
te fez maduro, te poliu;
O tempo se encantou,
ele te criou e passou...
Certa vez o tempo parou,
ele te encontrou e te apresentou
Te apresentou a mim
E o meu tempo
não me amava, ele não entendeu nada...