Aqui é onde a terra se despe
e o tempo se deita..

(Mia Couto, A Varanda do Frangipani)

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domingo, 15 de fevereiro de 2015

Para lembrar que não devo esquecer de apagar a luz




Um meio minuto, um pouco tempo e já se finda.
Um quase tudo do nada que desejei. O não esperável.
O silêncio de algo que nos cerca e não encontra palavras.
O que em breve será apenas alguma lembrança.

Olhos derretidos.

Um dia perto de tudo que tanto nos falta.
Acredito em tudo que não fomos.
Acredito no acaso e no que se demora.
Sinto o peso da ponte que não cruzaremos.

Olhos derretidos.

Os pés desconhecem o caminho de volta.
Sempre a estação errada.
Um espaço registrado no meio de tanta coisa dita.
E ainda assim nos faltaram planos.


( Alguma vez a flor não brota e fica apenas um galho seco de água, seco de um pouco de terra. Outra vez apenas esquecemos de buscar pão e o dia começa estranho. Descansar de viver para lembrar, tirar tudo das gavetas e acomodar de outro jeito. Nunca mais viver só depois. )

( Não cabe tanta coisa entre dois parênteses apenas, não caberia mesmo em um único parágrafo. Não cabe tudo que carregamos entre indas e vindas. Olhos gigantes. Esquecermos o que importa não é para agora. Jamais esperar abrir as malas que vem de tão longe. Lembrar de apagar a luz. Mandar entregar as cartas guardadas. ( não quero lembrar de apagar a luz ) Quero esquecer e esquecer de novo. Apagar os vestígios de tudo que eu sempre quis dizer. )




sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

O chá que esfriou na xícara e ficou lá




Tem dias que simplesmente não há o que falar. Não há o porquê falar. As palavras pesam e acabam tornando-se outro fardo, e não há de se colocar mais pesar sobre a realidade tão pouco aprazível. As notícias chegam como lâminas. Machucam. Cortam e fazem doer. Como aceitar o inevitável? Como aceitar o sofrimento de quem se ama e a impotência que vem junto com ele? Como olhar para esse futuro e não desejar que nada disso seja verdade? Como vivenciar o esmorecimento da vida? Tudo isso vai permanecer sem resposta e teremos que continuar respirando. O sol ainda se atreve a nascer todo dia como se ainda fosse tempo de esperança. E não é. Todo tempo nos foi tirado. Toda chance de uma cura nos foi negada. Metástase. O mundo desaba e acaba logo ali depois de mais alguns poucos dias. O pranto chega e se instala. Quase impossível não vivenciar um pré luto, de uma luta que não queria participar. Chega ser ridículo querer um chá para amenizar essa severidade. Um torpor. Por mais que ande na direção contrária não consigo me afastar da notícia inesperada de tua doença. Por mais que entenda que na tua idade isso já fosse esperado, não consigo aceitar com a serenidade e sabedoria que o momento exige. Me sinto uma criança contrariada. Querem tirar meu avô de mim, querem que eu entenda. Querem que eu aceite. E eu só quero chorar e brigar com Deus. Brigar tanto até ele entender que certas pessoas deveriam virar semente. Ele certamente não quer me ouvir. O que me resta é chorar e pedir aceitação das coisas que não posso mudar, acender uma vela, pedir desculpas a Deus, lembrar de todos as manhãs de sábados felizes que passei contigo vô, guardar aquela cestinha de vime que fizeste pra mim com essas mãos que tanto amo. Guardar todos esses momentos no lugar mais bonito que conseguir fazer. Te guardar como quem guarda um pouquinho do outro pra si. Pra sempre.

( desculpe Nono, mas por hoje ainda preciso chorar. )

Em tempo: Obrigada pela Cinamomo.




quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Sobre medidas de afeto e perdão


O acaso, a vida que morre e seus incontáveis imortais que insistem em ressurgir aqui ou acolá. Essa mesma vida que nos abandona segundo a segundo. Os imortais que vivem sob alguma outra perspectiva. Eu, mortal, tão mortal que já quase inexisto nessas vidas tão auto-suficientes cheias de suas verdades, de tão mortal que sou tornei-me surda. Mortal, falha, fraca, mesmo sabendo do tamanho da força que exigiu meu silêncio naquela hora. Logo tu, que me deste de comer e por tanto tempo me alimentaste com teu até então amor incondicional. Um amor bonito. Agora teu amor é superior, destinando apenas aos mais entendidos, aos mais flexíveis e menos sinceros. Preferia que eu fosse muda, seria agora imortal como tu talvez. Ou quem sabe nada diferente do que sou agora me tornaria a pessoa que tu imaginaste digna para receber teu afeto. 
Morri como morrem os fracos, só pelas tuas palavras. Com a mesma voz que tanta coisa me ensinaste, com a mesma força que tantas vezes conseguiste me fazer entender os erros. Não morri por ti, e, acredite, não morri para ti. Morri dentro do que acredito, minha própria verdade acabou por envenenar-me. Continuo aqui. Morta, longe dos teus imortais, eles agora estão a salvo do que não é necessário falar. Aliás, como falam pouco. Não te preocupes mais, e onde estou agora, aqui, tuas orações não conseguem chegar. Aqui é muito longe da casa que tem cheiro de pão crescendo todas as manhãs de sábado. Aqui e perto demais de tudo que tu não queres ver. Aqui a vida de quem morreu  é muito mais crua e um pouco escura demais para que essas verdades tomem algum contorno em tuas retinas. 
Doeu-me morrer assim. Ainda dói. Assumo toda culpa por essa morte, mesmo que meus dedos travem muito para escrever isso. Assumo que mesmo morta guardo as mais belas lembranças de ti. Sei que jamais entenderas, e que a tua maneira já me perdoaste.
Vó, o que me mata é justamente o que me devolve a vida instantes depois, minha fidelidade com as coisas que vem do coração. Não te pedirei perdão porque não acredito em absolvições divinas. Sou mortal vó. Mortal desde sempre.

( talvez tu tenhas razão e eu não saiba mesmo perdoar, pelo menos não da maneira que tu acreditas, e nem da maneira que tu imaginas que tenha que ser. E talvez eu esteja tentando, mas simplesmente não saiba como fazer. Ou eu tenha aprendido a conviver com isso sem me machucar mais, e isso deveria bastar. )




sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Sobre panetones, selfies e farofa


 Sempre que dezembro chega por aqui, traz consigo um saco cheio de animosidades. O Amor é negociado como moeda de troca, e no mercado de hoje parecemos tão pobres, carentes e necessitados. A palavra da moda é Ostentação e a felicidade banalizada em selfies cada vez mais ensaiadas onde o verdadeiro eu quase sempre fica oculto. Dezembro só nos permite felicidade, mesmo que apenas para ser exibida de maneira tão irreal, são apenas sorrisos forçados de um bando de gente que corre apressada e sem paciência para conseguir o melhor presente, o maior peru, o espumante mais gelado e o panetone mais recheado. Para que? Se nessas festas o presente nunca será bom o bastante, o tempero do peru nunca estará ao agrado de todos e o panetone coitado sempre sobra. Quem tem fome de verdade não tem festa alguma para ir.

 Papai Noel, se estiveres ouvindo traga um pouco de coerência. Ho Ho Ho

Os mais otimistas, os sempre alegres dirão que isso pareceu Amargo. E amargo é querer que tudo isso acabe logo, e que logo passem também as festas de ano novo, porque as benção da crença de que tudo será perfeito no ano que se inicia também não caíram sobre mim. Quero logo que chegue a nova estação e que folhas secas e amareladas cubram o chão, para que eu finalmente acredite que a vida voltou ao seu leito normal. E que esses que emanam essa aura de urgência em ser feliz agora sejam engolidos por toda essa loucura que paira no ar quente de seu sorridente dezembro.

Eu quero abraços sinceros independente de datas, quero sempre que puder, dar um presente bonito a alguém, qualquer dia do ano, pelo simples fato de estar feliz de verdade, ou pelo desejo genuíno de querer despertar um sorriso no rosto de um ser querido. Quero estender uma toalha bonita na mesa pela gratidão de uma vida simples. Quero que queiram estar comigo, na desobrigação de qualquer data maior do que o desejo de estar na presença de outrem. Não quero ter um roteiro ou um protocolo a seguir. 

Que as crianças entendam que Papai Noel é só a representação de um Amor que pode existir durante um ano inteiro. Um desejo de Natal diário e contínuo, uma fonte inesgotável de pequenos gestos. Uma rotina de gratidão e renovação, porque perdão também acontece ao acaso, mesmo que não tenhamos participado da ceia. 

 Eu creio na fidelidade consigo mesmo. Da mesmo forma que quero que para mim tudo isso acabe logo, desejei sempre que a verdade de cada um seja sempre bonita e respeitada, se for importante exteriorizar, que se faça. Se a comemoração é indispensável, que cada qual saiba o que mais lhe agrada na sua farofa. Mas que me seja permitido não participar.

De resto, só acho que panetone combina muito mais com café quente no inverno.



sexta-feira, 21 de março de 2014

A lente mais grossa


Acho que alguma vez o corpo precisa expurgar os acúmulos da carne e da alma. Sangrar e chorar. Sincronizar o que precisa ser curado e o que precisa ser urgentemente eliminado. Então, de repente, um simples arranhão vira uma ferida aberta e purulenta, que coloca para fora tudo que o corpo teimosamente insiste em manter por entre as entranhas, e as vezes as próprias entranhas precisam sangrar. Esse tempo nos obriga parar. Sentir toda a dor e chorar. Colocar para fora o mal que engolimos por certeza em uma vida inteira e por suposição quiçá quantas outras. Parar. Reavaliar. Sentir. Eliminar. Valorizar a dor, pelo tempo suficiente para o entendimento e depois pedir sabedoria para abandoná-la e também sua casca. Respirar. Reaprender a respirar, e se necessário caminhar com menos pressa, pisando mais leve e demorando-se mais no que é micro. Amadurecendo a alma e fortificando o corpo. Abandonando as certezas. Abraçando árvores e perdoando pessoas. Perdoando a primeira pessoa do singular. Seguir para algum lugar, que pode não necessariamente ser em frente ( ao lado, e também há um outro lado. ). E sempre haverá o lado de dentro, aquecido e amaciado pelo equilíbrio do auto conhecimento. Uma repetição que pode ser agradável na rotina que quer ser envolvida por um pouco de paciência, com o teu tempo e com o tempo do outro. Um aceitar-se como ser mutável.

( era só uma teoria sobre a aceitação e o amor incondicional que virou um parágrafo meio zen, meio bicho grilo. Assim assim, meio do nada, sobre quase tudo, mas bem sem intenção de ser algo grande. Só queria ser escrito. Só para lembrar de ser. Só algo de hoje, para um amanhã mais bonito. )




Um medo entre tantos


Uma impermeabilidade na alma. 
Nada consegue entrar por entre o que já nos ocupa. A dor é sempre funda e por trás dela ( se a força permitir ainda ) o que surge é sempre mais dolorido. Não há pausa para cura, não há o que se faça que mude o sentimento tingido de turbidez. A pressa, o pulso, o sangue, a ferida. A inércia e a dor, o frio e a demora de tudo que pudesse significar alívio. A esperança engolida como a noite que nunca acaba e marca os olhos de uma cicatriz por sob as pálpebras. O que não pode se esquecer, que grita e quer sair, mas está preso. Um muro alto. Uma sombra, um assombro. Uma incerteza, um amanhã arrastado. 

( Se fosse permitido despir-se de toda crença e a nudez da alma trouxesse algum alívio o pranto poderia antecipar-se, o espaço entre o abrir dos olhos seria suavizado. Por hoje ainda preciso acender uma vela e pedir proteção. Acreditar em tudo que existe entre o que não se vê e que se deseja tocar. )




sábado, 25 de janeiro de 2014

Sonhei contigo


Porque não se acaba, o amor. 
Porque o que permanece,  é sempre amor. 
Porque o que sinto ainda é plural e mesmo em silêncio é eco de um nós, bonito. 

E quando nos sonhei eramos somente pessoas amadas, sem bagagens e sem medida de tempo, apenas nós, vivendo o sentimento de uma forma que só quem teve que esperar sabe como pode ser puro.

O beijo inacabado permanece. 
O tempo marca. 
O amor quando não vivido é belo, doloridamente belo. 

Te guardei assim. De alguma forma te tenho comigo, és meu para sempre. Imaculado. Não esqueço, mas hoje a lembrança é mais próxima. O sonho. Palpável. A saudade nunca é uma ausência. És feito da mesma matéria bonita de tudo que se quer guardar para ser revivido em momentos que só a memória dos travesseiros poderia traduzir. És parte das coisas de dentro. 

( era só para te contar que sonhei contigo e, que foi um sonho bonito.  ) 





sexta-feira, 15 de junho de 2012

Uma última dança




E eu desejei te encontrar sentado na cadeira do jardim, perto das tuas videiras. Em uma sombra do que foi nossas vidas. Tu já velhinho. Te levaria para dentro de casa, segurando pela mão. Lavaria teu rosto e ajeitaria  teu cabelo. Se preciso fosse, apararia tua barba e passaria creme na tua pele cansada. Lavaria teus pés e cortaria tuas unhas. Teu melhor traje,  lembra-te? Te vestiria com ele e te sentaria na poltrona da sala, perto do fogo. Quero te olhar assim. Sentir tuas mãos, que o tempo não conseguiu mudar. Sentir também teu sorriso, que só vi quando menina. 

Sei que as palavras não são tuas amigas e que o vento leva o amor para longe de ti, na maioria do tempo. Faço um chá para nós dois, queres? Engulo teu silêncio junto com o primeiro gole, já estou familiarizada. Mas estar aqui é bom. Tuas mãos aquecidas, chamam as minhas, ainda geladas pelo sentimento derretendo. Assim viro menina com os cabelos que mal encostam na tua cintura, subo nos teus pés e dançamos. Tu lembrarias do grande dançarino que fostes. Estás cansado já, a dança dura pouco, o vigor  ausentou-se de teu corpo. Vais morrer em breve, e a palavra Perdoa-me vai contigo, no bolso do peito. Falou-me com olhos coloridos, os olhos verdes que na chuva eram azuis.

Minhas mãos são como as tuas, minha boca e meu tom também.
                     se tu pudesses imaginar o peso disso sobre mim,
e nem posso abandonar essa casca que me destes.
Carrego teu nome.
                        E também tenho saudades tuas...
                        mas já te perdi, perdi o caminho até ti...
Até as videiras te perderão...



terça-feira, 29 de maio de 2012

As linhas




Dos meus pensamentos ou desejos mais pretensiosos, o maior deles é te imaginar com saudades.

Se assim fosse, imaginaria que a  forma ( tua ) de encontrar-me inteira, seria aqui; lendo-me. O  lugar onde posso ser ( eu ), o único lugar onde admitiria também sentir saudades...

E talvez quando eu não mais sentir, não escreva... Por hora ainda tenho longas folhas brancas para riscar, de saudade... Ou as deixe em branco ( de saudade ).







sábado, 26 de maio de 2012




(...) saiu da livraria com as mãos vazias, os livros não conversavam, não diziam mais nada. Olhou para a camisa e viu os respingos do café da noite anterior, lembrou que não tomara banho, nem trocara a roupa, não havia morrido e nem vivia mais...


sábado, 28 de abril de 2012

Um olhar


Amo as palavras 
não creio na maioria 
apenas respeito 
como sagradas 

São vazias 
precisam de contexto  
Maleáveis 
mutáveis  
passíveis de correção 

Creio apenas no que sinto 

Acreditava no que via 

Certa vez me vi em  olhos que brilhavam 
brilhavam palavras 
palavras que brilhavam de sentir 
sentir que tinha medo de acreditar
olhos que partiram

Palavras que se perdem quando sentem...





segunda-feira, 9 de abril de 2012

Tu, a porta e eu



 São solidões simétricas, não opostas, talvez paralelas. Com quilômetros exatos e endereço fixo, horários incertos e bagagens simples.

  Solidões literárias que se fazem companhia, solidões quase cibernéticas.

  Cafés, sucos e proteínas. Clarice, Dostoiéviski e Beethoven. Uma distância linear, uma proximidade musical.

  Talvez receio, talvez medo ou só a  ausência da coragem. Talvez tudo, ou somente uma tremenda falta de sorte.
      
  Talvez tu venhas aqui, talvez melhor ai. Talvez hoje...

  Não sei... Te sinto e não tenho chave. Te conheço e sei que a porta fica aberta...



sexta-feira, 2 de março de 2012

Pausa


  Nunca sonhei contigo e nem sei como é teu perfume. Desconheço tua voz e sinto saudade dela. Me confundo com os sabores e só posso te imaginar ou te delirar, não sei ao certo ainda. Sei que às vezes és doce, outras nem tanto.

  Meu confidente sim, te cuido desde sempre, cuido desse sentimento. Logo estarás aqui para receber, é questão de tempo só. Um tempo único de esperar e mesmo sem estares aqui estas comigo.

  Talvez seja apenas uma esquizofrenia melada, peço-te desculpas e paciência, tenho uma dificuldade enorme em reconhecer essas coisas. Prometo me esforçar,  mas os dias estão ficando arrastados e as noites são cruéis comigo.

 Se eu não te encontrar logo, me faz um favor?  Deixa eu saber a tua música preferida, a espera com trilha sonora é muito mais leve...



segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Olhos verdes




   Não se nasce pai, muitas vezes o filho nasce e o pai fica na incubadora, mas não vinga, é um desencontro. Dois estranhos e empatia não faz milagres.

   Meu pai  me ensinou ser mãe.

   Me ensinou também muito sobre a realidade dos distanciamentos, que nem sempre presença significa proximidade, e que a distancia é muito mais emocional do que física.

  Seria simples se a palavra pai não fosse tão carregada de simbolismos. E seria mais fácil ainda se os olhos fossem sempre da mesma cor e não mudassem se tem sol ou chuva, algumas vezes gelo. Talvez tudo esteja nos olhos. Talvez tudo falte aos meus olhos.

   Seria simples se fossemos simples.


     Eu pude escolher ser mãe. Enquanto filha, não tive essa escolha, o que não me torna menos falha.
  Eu preciso das integralidades.

  Talvez alguns pais não tenham escolhido seus títulos familiares. Talvez na hora da concepção, algum cromossomo paterno, vá para o filho, e no futuro esse cromossomo falte ao pai, lhe negando as características próprias.

  O mundo as vezes economiza estruturas labiais e as feições endurecem. 

  Por certo o filho reconheceria o pai, e o pai sorriria.

 Nada que nunca tenhas tido pode fazer falta realmente, então deve estar tudo no seu lugar certo. Cada um encenando seu papel. Cada cena com sua trilha sonora pré-determinada.

  Alguns textos jamais serão lidos por quem realmente os entenderia, e isso não faria a menor diferença.






sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Esquecer




Sobre o que não sei sentir eu vi certa vez .
Levava junto um travesseiro branco, um poema e minha lágrima.
Foi para longe e lá ficou, perto do mar, perto da montanha também.
Ensinou tudo que não aprendi ao mar e ao flamboyant.
Ensinou sorrir a cada manhã.
Ensinou o perfume e a suavidade de cada flor.
Ensinou que nem todos podem aprender sobre esquecer.
O poema era sobre ensinar e deve estar amarelado e esquecido.
E acho que fiquei com medo de ouvir o que a onda poderia me contar em uma manhã comum...


quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Saber o sabor



 É que talvez o senso de coletividade das galinhas atrapalhe sua percepção de individualidade ( pode ser que elas sejam como a erva do suco, que não tem identidade, é só uma ervinha de suco, de laranja claro, já que o de melancia é indigesto). Diferente das baleias, pois a crueldade de sua matança é tamanha que justifica tsunamis e não provoca sentimentos de compaixão em indivíduos ocidentais que criam seus próprios apelidos.

  Concordar que os homenzinhos de Liverpool faziam um som que não agrada e sua presença de palco era patética. E que um certo figurão do cenário cult musical nacional é na verdade um mercenário sem capacidade de inovação, bem como, o  mais respeitado entrevistador da televisão também é absolutamente prepotente e intragável.

  Pizza marguerita é boa quando se corta dois pedaços da fatia com o garfo e o resto fica muito mais saboroso se pego com a mão. Esmalte claro deixa mãos femininas interessantes e mesmo que a dona delas seja uma pateta, podem ter um toque charmoso. O vinho de uma determinada região do Chile é pretensioso demais, talvez tanto quanto a região em si. O garçom precisa ser chamado pelo nome, e fica muito engraçado justificando a temperatura inapropriada do vinho escolhido.

  A arquitetura do ambiente é percorrida centímetro a centímetro e algumas coisas são estranhas. De tarde café cítrico não é bom, ainda mais se for fraco, que pode ser relacionado com a indicação de localização do local, não pelo endereço, e sim pelo caminhão de cimento na frente. Tanta interferência em uma cidade tão pequena.

  Mas o importante é nunca pedir uma maquiagem leve à alguém que você não tenha certeza da percepção de leveza. Entregar livros em embrulhos vermelhos pode lhe tirar o sono ( de uma maneira encantadora ) . E a chuva é sempre linda, mesmo que o rímel escorra.