Aqui é onde a terra se despe
e o tempo se deita..

(Mia Couto, A Varanda do Frangipani)

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sábado, 7 de fevereiro de 2015

De quem se faz presente na ausência


Ganhei um rosto de sorriso no meio do dia, por conta de um beijinho dentro de um son(h)o pequeno.
Ganhei um coração atrapalhado antes de amanhecer, por conta de alguns toques que vinham de longe de quem sempre está perto.
Ganhei um ser ar que mereceria ser um pecado.
Ganhei uma lua inteirinha.
Ganhei um sossego agitado.

Perdi o sono.
Perdi a compostura.
Perdi o ar.
Perdi as palavras.
Perdi tempo, antes de te encontrar.

E que quando abrirmos os olhos ainda seja sonho.




quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Sinta-se beijado


Fecho os olhos e te beijo

        em silêncio

em segredo

        em tântrico.

Um beijo que não deve ficar guardado.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Sobre gostar


Gosto de ti
Gosto de gostar de ti
Gosto do gosto que tem esse gostar 
Gosto disso de gostar que fica em mim e vem de ti
Gosto da maneira óbvia que eu sempre soube que gostaria assim
Gosto mais de mim agora que gosto de ti
Gosto de saber que vou gostar ainda mais de ti e de mim por gostar de ti

Porque na verdade eu

Gosto do teu cheiro
Gosto da cor do teu olho
Gosto da intensidade do teu toque
Gosto tanto, mas tanto do timbre da tua voz
Gosto da maneira que escreves
Gosto da maneira que escovas o cabelo antes de me mandar uma foto
Gosto de imaginar essas coisas tuas que ainda não conheço, e gosto.

Gosto de não saber explicar como gosto ou porque gosto
Gosto de ti da maneira mais simples e pura que sei gostar

Gosto de ti e às vezes isso me basta.



segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

A.D.O.R.M.E.C.E.R




Durma bem, meu bem.
( E me avise quando for hora de retirar essa vírgula. )
Durma bem meu bem.
( E me avise quando for hora de acrescentar reticências.)
Durma bem meu bem...
( E me avise quando for hora de retirar os parênteses.)

Apenas durma bem meu bem.


Que não se acabe aqui


Aqui
Trabalhando 
por dias
mais bonitos.
Colocando flores 
no centro 
da mesa.

Aqui
Querendo 
um tempo mais
Leve.
Buscando 
Outro Norte
sem mapa.

Aqui
Ouvindo
outras músicas
novos sons.
Experimentando 
sabores puros
Autênticos.

Aqui
Escrevendo
um futuro
que não se demora.
Sonhando
um presente
Plural.



domingo, 28 de dezembro de 2014

Irreticência





Aqui, vez ou outra te acaricio, com os olhos.
Em silêncio te sei com uma certeza que não conhecia.




domingo, 21 de dezembro de 2014

Olha só






E no prezado momento:

- Vontade de olhar para fora.
- O que te impede?
- O medo.
- Ele é tão maior que tua vontade?
- Parece que não.

( e faço o que com todos esses serás que ficam pulando na minha cabeça como grilos de três patas? )


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Hipoteticamente uma espera


Eu te esperaria, se prometeres que vens, fico aqui. Espero. Não demores. Espero. Não sei dos teus planos para hoje, só quero que tenhamos um hoje. Que sejamos nós. Que não estejamos sós. Espero. Não esperes, venhas. Me ensines como fazer. Quero deixar as hipóteses de lado e ser verdade. Estranhamente penso no futuro e nos coloco lá. Mas e o agora? Espero. Uma saudade hipotética, uma solidão que parece bem real. Um aperto no peito que machuca sem tocar. Uma realidade dentro de uma história inventada. Não temos garantias. Não temos certezas e nem motivos para acreditar. Como também não temos nada que nos leve na direção contrária. Não temos nada. Espero. 

Eu te chamaria, se não tivesse tanto medo de tudo que nos observa ao longe. Nem tão longe. O passado é logo ali. Espero que passe. Espero. Escrevo-te. Espero que tenhas aprendido a ler. Não há razão para buscar cartas sem remetente. Tomara que esperes.