Aqui é onde a terra se despe
e o tempo se deita..

(Mia Couto, A Varanda do Frangipani)

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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

BrincAR


Vontade de rimar
Tu comigo
Eu contigo

( podemos combinar?)


ELA


Flores belas
Uma casa amarela
Poeminha de Florbela

Uma janela
Pó de canela
Na vida que não era dela

Um pouco de cautela
Vai bem até na panela
Apaga a vela

Que clareia a viela
Amanhece singela
Se aqui ficasse não seria ela

* Caiu CANELA na PANELA, que por causa do cheiro DELA, queimou a VELA que alumiava a JANELA, de onde via a casa AMARELA, onde as flores eram BELAS, e NELA tudo lembrava FLORBELA, que sempre foi AQUELA que SINGELA escrevia a tristeza DELA.



Sobre o livro que nunca escrevi



Sobre o que perdemos entre um piscar e outro
Sobre o que sentimos e não temos coragem de dividir
Sobre todas as histórias que nunca serão escritas
Sobre os sonhos guardados em velhas casas
Sobre tudo que não se tem coragem de ser
Sobre lembrar que palavras precisam de contornos
Sobre respirar e tomar fôlego para começar
Sobre colocar tudo no papel
Sobre gratidão de encontrar essas coisas que nos apontam uma direção
Sobre dividir domingos e ganhar o que se guarda em lugares bonitos
Sobre ser verdadeiro o sentimento 
Sobre buscar o que se quer muito
Sobre todas as coisas verdadeiramente importantes
Sobre parar de fugir
Sobre tudo e sobre nada, apenas sobre...



Sentimento de nuvem


Por mais que tente saltar com as mão esticadas em tua direção, não te alcanço.
Evapora
Por mais que seja alvo o sentimento, não te alcanço.
Chove
Por mais que vente dentro e fora de mim, não te alcanço.
Sombra
Por mais que suba todos os degraus, não te alcanço.
Céu claro

Um sonho que ao acordar evapora. Um céu inteiro azul ( sem nuvem ). Esperar que as notícias venham carregadas pelo vento, aquele mesmo vento que carrega as sementes de dente-de-leão, leves e transparentes. Anjos. Uma chuva cristalina e serena que chora depois do céu se encher de nuvens. Que não seja um céu carregado. Que apenas carregue o que sente-se aqui dentro...



sexta-feira, 11 de maio de 2012



- Feliz?
- Sim!
- Agora posso ficar aqui. Sou Teu!
- Hum ( apenas baixou a cabeça e encostou no ombro dele por um instante )
- O que foi? Não era isso que querias?
- Te quero, mas se te tenho posso te perder! E isso me confunde, fico feliz e com medo!


( Ana e Francesco - Em um livro que ainda não foi escrito )



sábado, 17 de março de 2012

Maduro


Tire o casaco e os sapatos por favor,
entre devagar, não faça barulho
O amor vive aqui agora
precisa do silencio de dentro
precisa da calma nas palavras
Não o assuste
Ele gosta da doçura de estar assim quieto...



quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Do anjo




Entender a simplicidade e nobreza da ponte justifica o afastamento das margens do rio. Além disso ninguém sabia que petúnias brancas são quase tão belas como as margaridas. Em campos de flores não é necessário ser ponte e nem ultrapassar distâncias, é só um lugar calmo, onde se pode dormir, uma ou outra vez.


Caber do verbo de dentro



Pode ser que um Cello caiba na música, pode ser que apenas uma nota baste.
Pode ser que o céu caiba no olho, ou pode também a chuva inteira caber na nuvem.
Pode caber o sonho na noite, ou uma tarde inteira dentro do sonho.
O dia pode não caber no tempo ou o tempo sobrar no dia.
Pode a alma transbordar e não caber no corpo ou o corpo pode sugar a alma e se afogar no ego.
Pode o dia inteiro caber na mão, e pode também a mão esmagar o dia inteiro.
Pode caber e pode vazar, pode sobrar e pode faltar.
O que não pode é negar ...



quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Vertigem



Um pensamento linear. Uma horizontalidade constante. Nunca é de fora, é sempre mergulho. Necessidade de lente micro para visão clara do macro. A lentidão e a calma são indispensáveis. A verticalidade assusta, e faz perder a lente, projetando imagens gigantescas. Monólogos mesmo quando potencializados jamais terão status de diálogo. Os olhos deveriam permanecer fechados para aprender a ver realmente e fugir do abismo, mesmo quando é possível voar. A ruptura do tempo remete a uma simetria reversa, interna, sem variáveis de pólos. É síntese de cortina fechada e espetáculo por dentro, em preto e branco. No silêncio...


quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

hoje


Não achava palavras naquele instante. Tudo que já havia lido sobre isso eram agora apenas palavras e não serviam. Não encontrava similaridades ou traduções, verbos ou adjetivos, não cabia em páginas. Acontecia dentro e pela primeira vez era do lado de fora do livro...


Tarde



De perder...
a chave
a hora
o sono

De imaginar...
o lugar
o toque
o cheiro

De sentir...
o frio
o vazio
a falta

De querer...
ser
estar
sentir




terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Sentimentalidades


Tua voz
Teu cheiro
Tua pele
O sabor
Fica em mim... e eu nem sei como é

Não sei o tom
A predominância
A textura
O gosto
E ainda assim está em mim

É uma sensação de falta de algo que sobra aqui... ou ali.



sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

De gota



Choveu...
de música e suavidades
de ausência.

Choveu...
de cartas e seus lindos selos
de livros.

Choveu...
de um filme antigo
de café.

Choveu...
de uma noite inteira
de sentir.

Choveu...
de somente cair a água leve
de sem você.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

hermafrodita



Gente muito séria.
Muitas sombrinhas.
Muitas faixas de pedestres.
Muitos esparadrapos.
Pouca conversa ou muito controle.
Muita rigidez de horários.
Pouca brisa.
Muita enxurrada.
Muitos manuais e falta de prática.
Muitos jornais e poucos livros.
Casas e não lares.
Gozo vazio.
Poucos bilhetes de trem e infinitas pontes aéreas.
Muita roupa.
Cama arrumada por quê?
Muitos emails e nenhuma carta.
Excesso de maquiagem e falta de cultura.
Salto muito alto e pouca imaginação.
Falta de senso de humor e muitas gravatas.
Muito ar condicionado.
Pouco respirar...
Muita memória sem lembrança.
Muitas impressões e nenhuma segunda intenção.
Pouca hipérbole e muitos pleonasmos.
A estrada sem caminho.
A mão na pedra sem o magnésio.
Música sem melodia.
O prazer do braille na pele.
Ler Olavo Bilac e desejar ouvir, sentir, viver Neruda.





domingo, 1 de janeiro de 2012

Tristesse



e porque me foi dada uma alma cansada
uma alma que tem saudade de casa
que tem urgência em voltar
de sentir
uma alma que quer buscar o que ficou

me vestiram de uma vida incompreensível
e a alma que se desnuda triste
não entende
quer voltar aos gramados de outrora
onde caminhava descalça

leve foi e carrega hoje os pesos
de todos os ontens
não pensa em chegar ao amanhã
de dias iguais
presos e sem música



Das marcas


Na alma
 as impressões

Na pele
 o arrepio

Na alma
 o sentido

Na pele
 a urgência

Na alma
 a saudade

Na pele
 também...





quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Somente


Busca-me o momento para ir embora
Mas não vá
Fique aqui... Não há tempo para explicar
Apenas fique
Eu queria poder falar
São coisas importantes
Mas serão apenas palavras
E podemos sentir
Podemos guardar o momento
Sempre será agora
Sempre teremos mil coisas a fazer
Sempre será tarde
Mas podemos ficar e dizer ao Depois que agora não...?!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Onde


E eu nem poderia falar de amor, nada sei sobre ele.
Imagino ser algo para os fortes.
Forte suficiente para admitir suas fraquezas.
Forte para aceitar ser derrotado vez ou outra.
Forte para chorar.
Forte para esquecer.
Forte para quando tiver que lembrar.
Uma vez eu o vi.
Ele esteve na minha frente...( Mas é preciso algo além da força )

                                      E o que será que acontece com o amor que fica?



Do incompreensível


Da certeza
                     de que esperar vale a pena
Do desejo
                      apenas o encontro
Do futuro
                      dentro do imaginável
Do passado 
                       um tempo de aprender
Do agora
                       único tempo palpável
Do que sobrou
                        já foi
Do que falta
                      Sempre você...

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

                                         

E quando não houverem palavras...

Seguraremos um a mão do outro;
O sorriso pode falar também;
Se for lágrima, terá um carinho enxugando-a;
E o ombro será apoio;

                                            O amor vai acontecer no silêncio dos olhos...