Aqui é onde a terra se despe
e o tempo se deita..
e o tempo se deita..
(Mia Couto, A Varanda do Frangipani)
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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
ELA
Flores belas
Uma casa amarela
Poeminha de Florbela
Uma janela
Pó de canela
Na vida que não era dela
Um pouco de cautela
Vai bem até na panela
Apaga a vela
Que clareia a viela
Amanhece singela
Se aqui ficasse não seria ela
* Caiu CANELA na PANELA, que por causa do cheiro DELA, queimou a VELA que alumiava a JANELA, de onde via a casa AMARELA, onde as flores eram BELAS, e NELA tudo lembrava FLORBELA, que sempre foi AQUELA que SINGELA escrevia a tristeza DELA.
Sentimento de nuvem
Por mais que tente saltar com as mão esticadas em tua direção, não te alcanço.
Evapora
Por mais que seja alvo o sentimento, não te alcanço.
Chove
Por mais que vente dentro e fora de mim, não te alcanço.
Sombra
Por mais que suba todos os degraus, não te alcanço.
Céu claro
Um sonho que ao acordar evapora. Um céu inteiro azul ( sem nuvem ). Esperar que as notícias venham carregadas pelo vento, aquele mesmo vento que carrega as sementes de dente-de-leão, leves e transparentes. Anjos. Uma chuva cristalina e serena que chora depois do céu se encher de nuvens. Que não seja um céu carregado. Que apenas carregue o que sente-se aqui dentro...
sábado, 7 de fevereiro de 2015
Não cabe no papel
Comecei escrevendo sobre um livro bom que li. Apaguei. Queria escrever de ti. Para ti. Escrevi e apaguei novamente. Reescrevi e gostei, como gosto de ti. Vou acabar por ficar repetitiva e chata porque esse gostar me rouba as palavras, me esculhamba as ideias e me faz perder a hora do banho que acabo por ter que sair com o cabelo molhado.
Achei que coração cheio ficasse pesado de gostar. Gostei e ganhei um coração leve.
De quem se faz presente na ausência
Ganhei um rosto de sorriso no meio do dia, por conta de um beijinho dentro de um son(h)o pequeno.
Ganhei um coração atrapalhado antes de amanhecer, por conta de alguns toques que vinham de longe de quem sempre está perto.
Ganhei um ser ar que mereceria ser um pecado.
Ganhei uma lua inteirinha.
Ganhei um sossego agitado.
Perdi o sono.
Perdi a compostura.
Perdi o ar.
Perdi as palavras.
Perdi tempo, antes de te encontrar.
E que quando abrirmos os olhos ainda seja sonho.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
Sinta-se beijado
Fecho os olhos e te beijo
em silêncio
em segredo
em tântrico.
Um beijo que não deve ficar guardado.
Por não entender Platão
E numa segunda-feira comum te ENCONTREI comigo embaixo do CINAMOMO.
ERAMOS sós e descalços, pisando nas MIÚDAS folhas amareladas falamos de um GOSTAR bonito.
Pequenos PENSAMENTOS pontuados de tamanha SINGELEZA fazem com que um mero SUSPIRO acorde sensações em BRAILE, na PELE e, permaneçam na ALMA.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
Sobre gostar
Gosto de ti
Gosto de gostar de ti
Gosto do gosto que tem esse gostar
Gosto disso de gostar que fica em mim e vem de ti
Gosto da maneira óbvia que eu sempre soube que gostaria assim
Gosto mais de mim agora que gosto de ti
Gosto de saber que vou gostar ainda mais de ti e de mim por gostar de ti
Porque na verdade eu
Gosto do teu cheiro
Gosto da cor do teu olho
Gosto da intensidade do teu toque
Gosto tanto, mas tanto do timbre da tua voz
Gosto da maneira que escreves
Gosto da maneira que escovas o cabelo antes de me mandar uma foto
Gosto de imaginar essas coisas tuas que ainda não conheço, e gosto.
Gosto de não saber explicar como gosto ou porque gosto
Gosto de ti da maneira mais simples e pura que sei gostar
Gosto de ti e às vezes isso me basta.
Gosto mais de mim agora que gosto de ti
Gosto de saber que vou gostar ainda mais de ti e de mim por gostar de ti
Porque na verdade eu
Gosto do teu cheiro
Gosto da cor do teu olho
Gosto da intensidade do teu toque
Gosto tanto, mas tanto do timbre da tua voz
Gosto da maneira que escreves
Gosto da maneira que escovas o cabelo antes de me mandar uma foto
Gosto de imaginar essas coisas tuas que ainda não conheço, e gosto.
Gosto de não saber explicar como gosto ou porque gosto
Gosto de ti da maneira mais simples e pura que sei gostar
Gosto de ti e às vezes isso me basta.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
A.D.O.R.M.E.C.E.R
Durma bem, meu bem.
( E me avise quando for hora de retirar essa vírgula. )
Durma bem meu bem.
( E me avise quando for hora de acrescentar reticências.)
Durma bem meu bem...
( E me avise quando for hora de retirar os parênteses.)
Apenas durma bem meu bem.
Que não se acabe aqui
Aqui
Trabalhando
por dias
mais bonitos.
Colocando flores
no centro
da mesa.
Aqui
Querendo
um tempo mais
Leve.
Buscando
Outro Norte
sem mapa.
Aqui
Ouvindo
outras músicas
novos sons.
Experimentando
sabores puros
Autênticos.
Aqui
Escrevendo
um futuro
que não se demora.
Sonhando
um presente
Plural.
domingo, 28 de dezembro de 2014
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
Nerude-me ( as cerejeiras passam também pelo outono no outro hemisfério )
O poeta escreveu que deixamos de amar pouco a pouco, e que deveríamos esperar a recíproca.
Gosto mais da parte que ele fala sobre em um dia dar-se conta de estar destinado um ao outro. A surpresa velada entre a promessa e a espera. O que fica encoberto pela aparência do que nunca nos será exposto.
Impossível não lembrar.
Impossível não lembrar.
É sempre uma ilha no poema e, aqui permanece a impressão de que a água salgada nos rodeia, mas só pisamos em areia seca.
Lembra-te que não nos molhamos?
Lembra-te que não nos molhamos?
Por que parece que sempre passo sob as cerejeiras na estação errada? E se o poeta estiver certo e tudo acaba mesmo em tempo igual?
( Mesmo que agora não possamos ver as flores, alguma coisa ainda é latente. E hoje fez vento que carrega chuva. )
sábado, 17 de março de 2012
Maduro
Tire o casaco e os sapatos por favor,
entre devagar, não faça barulho
O amor vive aqui agora
precisa do silencio de dentro
precisa da calma nas palavras
Não o assuste
Ele gosta da doçura de estar assim quieto...
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Caber do verbo de dentro
Pode ser que um Cello caiba na música, pode ser que apenas uma nota baste.
Pode ser que o céu caiba no olho, ou pode também a chuva inteira caber na nuvem.
Pode caber o sonho na noite, ou uma tarde inteira dentro do sonho.
O dia pode não caber no tempo ou o tempo sobrar no dia.
Pode a alma transbordar e não caber no corpo ou o corpo pode sugar a alma e se afogar no ego.
Pode o dia inteiro caber na mão, e pode também a mão esmagar o dia inteiro.
Pode caber e pode vazar, pode sobrar e pode faltar.
O que não pode é negar ...
domingo, 22 de janeiro de 2012
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Pontes
Naquele momento o necessário era reunir forças e explicar o porque ter que IR
e tudo que eu queria ouvir era o porque FICAR!!!
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
caminhos
Certa vez um homem me contou
Que todos os pássaros buscam alcançar o céu
Que as borboletas são fascinadas pela luz
Que viu uma montanha apaixonada pela nuvem
E a flor vermelha que amava o beija flor
Depois de um longo silêncio, me falou
Que agora não tinha mais segredos
E que precisava partir, sua bagagem estava leve...
Seguiu pela estradinha com passos seguros e não olhou para trás... Parecia feliz!
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