Aqui é onde a terra se despe
e o tempo se deita..

(Mia Couto, A Varanda do Frangipani)

Mostrando postagens com marcador Vinho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Vinho. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Saber o sabor



 É que talvez o senso de coletividade das galinhas atrapalhe sua percepção de individualidade ( pode ser que elas sejam como a erva do suco, que não tem identidade, é só uma ervinha de suco, de laranja claro, já que o de melancia é indigesto). Diferente das baleias, pois a crueldade de sua matança é tamanha que justifica tsunamis e não provoca sentimentos de compaixão em indivíduos ocidentais que criam seus próprios apelidos.

  Concordar que os homenzinhos de Liverpool faziam um som que não agrada e sua presença de palco era patética. E que um certo figurão do cenário cult musical nacional é na verdade um mercenário sem capacidade de inovação, bem como, o  mais respeitado entrevistador da televisão também é absolutamente prepotente e intragável.

  Pizza marguerita é boa quando se corta dois pedaços da fatia com o garfo e o resto fica muito mais saboroso se pego com a mão. Esmalte claro deixa mãos femininas interessantes e mesmo que a dona delas seja uma pateta, podem ter um toque charmoso. O vinho de uma determinada região do Chile é pretensioso demais, talvez tanto quanto a região em si. O garçom precisa ser chamado pelo nome, e fica muito engraçado justificando a temperatura inapropriada do vinho escolhido.

  A arquitetura do ambiente é percorrida centímetro a centímetro e algumas coisas são estranhas. De tarde café cítrico não é bom, ainda mais se for fraco, que pode ser relacionado com a indicação de localização do local, não pelo endereço, e sim pelo caminhão de cimento na frente. Tanta interferência em uma cidade tão pequena.

  Mas o importante é nunca pedir uma maquiagem leve à alguém que você não tenha certeza da percepção de leveza. Entregar livros em embrulhos vermelhos pode lhe tirar o sono ( de uma maneira encantadora ) . E a chuva é sempre linda, mesmo que o rímel escorra.



sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Soprou


Certamente você comentaria como foi feliz a escolha do Carménère, de como tinha razão sobre sua intensidade e profundidade de sabores e aromas, sobre a suavidade dos taninos em relação ao meu apaixonante Cabernet, e logicamente eu deixaria que você estivesse certo, sempre achei os Merlots mais elegantes entre os três, ainda consigo manter isso em segredo, não ousaria desalinhar seu ego nesse momento.
 Os sabores e os cheiros confusos da mistura de sorrisos, vinhos e cafés. A recusa da pressa, o cessar dos relógios, o silenciar do tempo, um pulsar descompassado entre agendas e distâncias que não entendem rotina.
 A garrafa solitária na prateleira remetia a amores não vividos, noites solitárias que se arrastam com longos restos de sol. A falta de saber o sabor do vinho, imaginar esse sabor misturado com o tântrico e uma leve falta de luz.
 O tempo chama e a garrafa voltou à prateleira, continuou só... por instantes pôde imaginar que o tempo entre o terminar do dia e o amanhecer deveria ser inconstante e palpável...