Aqui é onde a terra se despe
e o tempo se deita..

(Mia Couto, A Varanda do Frangipani)

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016


Eu não lembro do teu perfume. Hoje me dei conta disso e foi como te perder outra vez. Conseguiria te sentir chegando ao longe, por pura intuição. Reconheceria tuas mãos por cada linha delas. Mas teu perfume ficou perdido entre alguma lembrança. Teu cheiro. Quase todo dia vou até tua antiga sala. Já te contei que o bebedouro ainda está naquele mesmo lugar? Tua sala agora é ocupada por quatro professores. Eu não os conheço, invejo a intimidade deles com os espaços que foram teus. Ando por lá procurando algum restinho de ti. Sou uma mendiga, uma andarilha nos corredores que nem lembram mais de nossa passagem. Quando saio do prédio sempre olho para tua janela, se vejo luz o coração dispara e quer voltar. Mas voltar para onde? 

(Em dias assim, penso na possibilidade de termos uma chance, uma única chance de encontrar a pessoa que fará falta para sempre. Eu encontrei. Perdi. Agora vago pelos lugares que nos foram caros e busco por pequenas lembranças. Parece tão pouco, mas é tudo que tenho. Poderia parecer uma loucura e talvez seja, não importa. Pode ser qualquer coisa, mas é só amor. Sempre foi, sempre amor.)



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